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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Até quando?!

Todos os jornais, blogs e colunas de cultura deram o tão aguardado beijo gay no horário nobre da Rede Globo. Mateus Solano divertia a todos com suas tiradas geniais e seu jeito espalhafatoso de ser. Aumentou a audiência da novela e fez com que os homossexuais fossem mais aceitos... ou não! 

Ontem , no meu feed de notícias do Facebook uma menina compartilhava um relato de como foi espancada na rua por estar andando com sua namorada. Hoje, na página do Globo a novidade é uma nova página nas redes sociais que lista locais como bares, ruas e estabelecimentos na Lapa homofóbicos e/ou que não são mais seguros, pois têm casos de estupro e violência. What?!

"A ideia inicial era desenvolver um aplicativo para as pessoas indicarem estabelecimentos onde se sentem inseguras na Lapa, mas os recentes casos de estupro no bairro anteciparam os planos do grupo, que optou pela página na rede social como meio de divulgação das denúncias." (Via Site Jornal O Globo)

Na TV é tudo legal, tudo lindo e liberado. Mas na mesa do seu lado no bar não né? Um casal homossexual se beijando pode até causar estranhamento, algo que já não era pra existir em pleno século XXI, mas vamos tentar entender, afinal o texto é sobre isso não é? Pedir um pouco mais de entendimento e compreensão! Mas dai algumas pessoas intolerantes, ignorantes e estúpidas se acharem no direito de dizer o que pode ou não. Partirem pra violência e desrespeitarem a liberdade do outro, isso já é crime! E então, só me resta a pergunta: até quando a pauta do dia será a falta de compaixão?!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

E você ainda me pergunta o porquê do meu nojo ?

Pouco acompanhei dos acontecimentos vergonhosos que o nossa população vivenciou essas últimas semanas. Mas hoje ao me deparar com o texto do jornalista e coordenador do site Catraca Livre, Gilberto Dimenstein, no Brasil Post, tive vontade de escrever o mesmo. Alguns vão pensar, de novo esse mesmo assunto! Outros talvez: "não adianta mais, o que foi feito já passou!". E para esses descrentes do mundo eu lhes digo: não é de gente como você que o país precisa. Precisamos de gente de bem, pelo amor de Deus. Gente honesta, que tem caráter e acima de tudo compaixão. 

Vendo a notícia do  rapaz espancado e acorrentado no Rio, acusado de cometer crimes, apenas pensei: "O que faz de você um justiceiro? Quem te nomeou assim?". Esses meninos devem ter lido muito gibi do Batman quando novos. É a única explicação. Ou melhor, é uma das. O pouco que vi nos telejornais e programas televisivos sobre o menino preso a um poste como um cachorro, me deixou com ânsia de vômito. Um dos tais justiceiros respondeu à pergunta da repórter sobre como seus pais agiriam se soubessem com um simples aceno de cabeça e um "eles acham certo, falaram que bandido tem que ser tratado assim".  Então além dos gibis, vemos a causa dessa sociedade podre. Como pais ensinam a seus filhos que o certo é tratar violência com violência? Onde estão os tais dizeres, que estamparam a camiseta dos hippies, músicas de John Lennon e atualmente deveriam sair da boca da nossa juventude engajada: "make love, not war", "peace and love", ou "gentileza gera gentileza".

E ai os descrentes me dizem: "É porque você nunca passou por isso?", ou então "mas o que fazer se a polícia não resolve". Eu já fui assaltada sim! Já me levaram pertences pessoais e tenho medo de andar na rua à noite, ou em determinados lugares desacompanhadas. Às vezes tenho medo da minha própria sombra, mas daí eu prender um homem espancado, nú a um poste? Por acaso voltamos a época da escravidão onde os homens e mulheres que desrespeitavam "as leis" eram açoitados em praça pública.

Homenagem ao cinegrafista Santiago Andrade, de Celso Mathias
E não satisfeitos em me deixar mal no domingo a noite, os jornais me deram a triste notícia que o cinegrafista da Band Santiago Andrade havia morrido. Um homem integro, colega de profissão, que estava ali no meio do protesto para entregar a você que está no conforto e segurança da sua casa as melhores imagens do acontecimento. Um cinegrafista experiente, que ganhou dois prêmios por mostrar as dificuldades que nós brasileiros passávamos todos os dias nos transportes públicos. Desde 2013, ele registrou para a TV Bandeirantes diversas manifestações na cidade e estava escalado para participar da cobertura jornalística da Copa do Mundo este ano. Um repórter que perdeu a vida, por imprudência, descaso e o pior, por falta de respeito de um único homem. Não chamo os manifestantes de vândalos, black-blocks ou irresponsáveis, porque como toda a população, eles só querem mudanças, melhorias e voz, coisas que nunca possuíram nessa nossa tal "democracia".  Apenas lamento que, como a nossa polícia mesmo nos ensina, os protestos e manifestações precisam de violência, rojões, bombas de gás e balas de borracha. De tanto ódio reprimido, alguém ia acabar sofrendo as consequências.  

Sem um pingo de compaixão com o próximo, a nossa sociedade vai crescendo, se expandido e infelizmente, apodrecendo os poucos otimistas, solidários e íntegros que restam....

Infelizmente, não consigo terminar esse texto com um pensamento muito otimista, mas deixo que John Lennon, aquele mesmo que falou "make love, not war", diga as palavras lindas de uma das músicas mais profundas que já ouvi. Que aqueles como eu, que mesmo com esse nojo dos fatos ocorridos, possam acordar no dia seguinte com o mesmo coração e mente do dia anterior. Que nós possamos imaginar um mundo  em que todas as pessoas vivam em paz, com elas mesmas e com os outros.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Não tão lindo!

“Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil”.Que o Rio de Janeiro é lindo ninguém mais precisa afirmar. Músicas e mais músicas já provam o encanto de quem moro ou passou por aqui. Eu mesma, não me canso de dizer o quanto o Rio é bonito. Cada detalhe faz com que eu me apaixone mais.
Mas viver no Rio exige certa malandragem que nem todos têm. E não digo isso com orgulho, mas com extrema tristeza. Habitar a cidade maravilhosa significa estar ligado a tudo o que acontece ao seu redor 24h por dia. É não deixar a bolsa aberta, ver quem está passando do seu lado, não sair muito tarde sozinho por ai, não deixar nada de muito valor a mostra, saber quais são os melhores caminhos para fazer... Semana passada depois de sair do trabalho me deparo com uma manifestação e de repente três pivetes assaltam um homem, que sai correndo desenfreado atrás deles. O povo em volta começa a gritar “pega ele, pega ele” e todos que estavam na rua se solidarizam com o sujeito assaltado e cercam o pivete que, sem saída, devolve o celular roubado e por muito pouco não é espancado. Uma cena que contrasta com a beleza celestial carioca, mas que nós moradores, temos que lidar.

As cenas de assalto aumentam cada vez mais e acabamos ficando de mãos atadas. De tanto conviver com essas situações, o carioca chega aos outros estados do Brasil já meio safo, achando que mais perigoso que o lugar onde mora, não existe. “Fala sério cara, eu moro no Rio!”.

O Rio de Janeiro não continua tão lindo.


Texto de Juliana Granato