Mostrando postagens com marcador Mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mulheres. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano."

Como diria o jornalista, cronista e principalmente; verdadeiro, escrachado e não pudico; Nelson Rodrigues, "A liberdade é mais importante do que o pão". Nós tentamos. Juro que tentamos! Queremos sair na rua de batom vermelho e usar a saia do tamanho que acharmos convenientes. Queremos sentar na mesa de um bar, com outras mulheres e falar sobre sexo, sem perceber os olhares masculinos ao redor. Por que esse tabu?!

O preconceito velado, o machismo explícito e o julgamento precipitado me cansam. Cansam porque todos gostam de um "50 Tons de Cinza", de um filme a lá "Ninfomaníaca" e de um homem com pegada, ou uma mulher sensual. Mas deixar isso claro, ai não!

O prazer tem que estar escondido embaixo de saias comportadas, posturas femininas e risos discretos. Palavras "vulgares" não podem passar pelos lábios pintados de vermelho. "O que vão pensar de você?", essa é a frase que mais ouvimos, quando pensamos em nos libertar. Seu pai se preocupa com a sua imagem perante os outros, o namorado com sua postura e o que vão falar de você, e as outras meninas do quanto você pode chamar atenção. Ou será que eles, todos eles, apenas pensam em si.

"Deixa a menina dançar", já dizia a minha mãe quando eu era criança e queria mostrar pra todos a minha fantasia nova de bailarina. "Qual o problema da roupa? Elas são novas!", dizia a minha avó quando via as roupas curtas e sensuais das meninas saindo para a noite, bem diferentes das roupas de sua época.

Por que em pleno século XXI ser sexóloga ainda é motivo de piadas? Por que uma mulher não pode entender e falar de sexo normalmente? Por que o homem acha normal falar sobre a última transa e você mulher, em uma roda de amigas, não pode falar sobre vibradores sem ser julgada, ou pior, considerada fácil? E ai eu respondo: sexo só é tabu porque nós o fizemos assim. Porque nós mulheres, não nos soltamos, não prezamos por nossa liberdade e deixamos a opinião alheia nos afetar.

Não Nelson Rodrigues, em algumas coisas você foi maravilhoso, em outras... nem tanto. "A mulher ideal deve ser dama na mesa e puta na cama.", discordo! A mulher ideal é aquela livre pra ser o que lhe der vontade, ou como diria vovó, o que lhe der na telha. A mulher ideal é aquela que é feliz com seu próprio corpo e satisfeita na cama a ponto de falar sobre sexo sem meias verdades, sinônimos ou pudor. Deixe o pudor para os jantares em família, o aniversário da tia-avó da sua mãe ou no dia que for conhecer a sogra. Depois disso, se solte! Ser livre, moderna e destemida, faz você ainda melhor. E os outros? Ahh... eles que resolvam suas neuras na sexóloga.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O corpo é meu e a imagem também!

Durante anos, as mulheres lutaram por liberdade. Uma luta por liberdade de opinião, de expressão e, principalmente, de prazer. Em pleno século 21, ainda nos chocamos ao ver na tv e nos jornais casos como o da Júlia Rebeca. A adolescente de 17 anos morava no litoral do Piauí e, depois de ter um vídeo íntimo compartilhado pelo celular, caiu em depressão e se suicidou.

E então surgem as perguntas... Como um homem pode tratar um término de namoro de uma maneira tão pavorosa? Que mundo é esse no qual a confiança no outro é quebrada assim de uma hora para outra?

Uma menina, que como inúmeras outras em todo o mundo, se apaixonou, achou que podia confiar naquele homem que participava das reuniões de família, e que, por algum motivo (seja ele qual for), resolveu terminar o relacionamento. Um homem que lhe tratava como uma princesa, agora passa para o mundo, posta na internet e faz questão de se vangloriar de uma imagem errada e distorcida da realidade. Um homem egoísta, machista e imbecil!

E o pior? Esse tipo de pensamento parece brotar de algumas mentes pequenas. Nas reportagens sobre casos de pornografia de revanche, comentários indigestos surgem no fim da página. "Ela é a culpada!" ou "ela quis filmar, agora aguenta!". Não vamos ser pudicos e ignorantes, a culpa não é das "Júlias". As mulheres têm desejos, como todo homem. Têm vontades, como qualquer ser humano. E, a todo momento, procuram inovar na cama para não cair na rotina. O mercado dos sex shops cresce a todo momento, as revistas femininas estampam na capa maneiras de agradar ao seu homem, e as masculinas a imagem da mulher perfeita. Vontades que começam como brincadeiras entre quatro paredes, entre duas pessoas que se gostam, acabam com adolescentes deprimidas e humilhadas por homens que não merecem essa denominação.

Casos como o de Júlia estampam capas de jornais brasileiros e estrangeiros. Até quando a mulher vai ser reprimida e humilhada dessa maneira? Até quando a mulher vai ter que reprimir suas vontades, seu prazer e seu gozo porque não podem confiar no homem que está ao seu lado? Até quando as autoridades vão se calar?

Antes de ser o famoso jogador de futebol e o atual deputado federal, Romário falou com pai de quatro filhas e principalmente, como homem. O deputado apresentou, no último dia 23 de outubro, um projeto de lei que transforma em crime a divulgação indevida de material íntimo.

"Nossa sociedade costuma julgar as mulheres. É como se o sexo denegrisse a honra delas. Os comentários machistas não vêm só dos homens, muitas mulheres criticam as vítimas também. O criminoso se aproveita da vulnerabilidade gerada pela confiança da pessoa" - diz o deputado em entrevista para a revista Marie Claire.

Deixo aqui a reportagem que merece, e muito, ser lida.: http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2013/11/pornografia-de-revanche-nossa-sociedade-julga-mulheres-como-se-o-sexo-denegrisse-honra-diz-romario.html




quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Batom Vermelho

Ela não se encaixava nos padrões e, quem sabe, não queria se encaixar. Sua vida não precisava de dietas especiais, academia 7 vezes por semana, nem muito menos, milhares de roupas com etiquetas famosas! Gostava de se sentir bem e se uma barra de chocolate, uma camiseta da loja da esquina e um dia de musculação por semana a deixavam feliz...Isso bastava!

Culpa?! Essa palavra não cabia no seu dicionário! E se, por alguns segundos, essa palavra aparecesse, era algo como um verbete daqueles que ninguém liga muito.

Às vezes errada, às vezes errante. Ela era feliz vivendo daquela maneira. Falava alto em alguns momentos, chamava atenção. Não se importava em falar um palavrão quando necessário, ou  até mesmo, de tocar em assuntos que eram tabus. Mas não era mal educada! "Não confunda as coisas!", diria ela. Educação em primeiro lugar. Ela era apenas diferente daquelas mulheres de filmes franceses que só usam saia e andam sempre com o cabelo arrumadinho. Fazia as coisas que achava que iriam lhe agradar, mas quando queria e não quando alguém se sentia no direito de opinar!
 

Mas o que tem demais?! Ela não precisava ser uma dama da década de 30 como a sua avó. Se arrumava bem, estava sempre bonita, mas era uma beleza natural, daquelas que só algumas mulheres merecem ter. Usava batom vermelho se o simples ato de se olhar no espelho, com aqueles lábios vivos, a fizesse bem. Mesmo perdida na rua, sem rumo nem hora, andava decidida, com uma pisada firme e calculada. Ela era segura e isso, infelizmente, assustava os outros!
 
 

terça-feira, 8 de março de 2011

Um dia só para nós!

Para muitos o Dia Internacional da mulher é apenas mais um dia para se dizer coisas românticas para as mulheres existentes em suas vidas. Deixar elas descansarem pelo menos um dia por inteiro e assim, elas se sentirão mais bonitas e felizes para começar a rotina frenética do dia seguinte. Isso pode até ser verdade, mas não podemos tirar a importância desse dia.

A mulher, diferente do homem, sofreu durante décadas preconceitos por diversos motivos. Não tínhamos voz perante a sociedade, não podíamos trabalhar e eramos educadas, desde pequenas, a sermos a esposa e a dona de casa ideal. Depois de alguns anos, entramos no extremo do feminismo. Queríamos queimar nossos sutiãs, nos sentíamos independentes, poderosas... Homens? Quem precisava deles! Mas acho que, se pararmos para pensar, somente nos dias de hoje acredito que estamos chegando, de pouco em pouco, a um certo equilíbrio. Vivemos nossas vidas, mas temos tempo para relacionamentos, filhos, trabalho, e é claro, um tempo para cuidar de nós. 

Acredito que este é o ponto onde queria chegar. O dia internacional da mulher não é apenas um dia entre os muitos do ano, porque nós não somos apenas pessoas entre as muitas no mundo.