quinta-feira, 22 de março de 2012
Falar, falar e falar....
Acho que muitas pessoas não vão concordar com o que eu vou escrever e podem me achar meio revoltada ou maluca, mas vou escrever mesmo assim. Sabe aquelas dicas que você lê em revistas de moda e bem-estar quando você está entediada no salão ou no consultório médico? Aquelas que são listas do que fazer para se sentir bem, o que fazer para ser mais feliz, o que fazer para uma vida mais tranquila, o que fazer, até mesmo, para conseguir o homem dos seus sonhos? Então, elas todas possuem sempre um item em comum: não brigue ou discuta com as pessoas que você ama. O por quê? Você se preserva do estresse e vive mais tranquila. E desde quando alguém consegue seguir as dietas, as dicas de moda e de beleza e as recomendações dessas revistas. Elas são ótimas para você fazer uma lista do que fazer no próximo ano com alguns tópicos como, entrar em uma dieta, fazer uma limpeza no guarda-roupa, comprar roupas melhores, maquiagens melhores, e principalmente mudar seu estilo de vida. Mas elas são péssimas no quesito dicas importantes!
Não posso me considerar uma especialista no assunto mas todas nós sabemos, que lá no fundo, tudo que está escrito ali não passam de palavras e frases bonitas. Algo como um livro de auto-ajuda! E até hoje eu não entendi o porque da dica : não discuta. E é nesse momento que eu vou parecer maluca, mas eu acho que a dica deveria ser, discuta sim, quando achar necessário. Não no sentido de brigar, partir para a grosseria, para os gritos e ofensas, não é desse tipo de briga que estou falando. Seria algo como falar a verdade, o que vier na cabeça. Pode ser necessário, em algumas situações apenas falar, ou argumentar mas se não for o suficiente, discuta até onde for necessário, é importante colocar para fora o que não está te fazendo bem.
Primeiro de tudo, porque para você ser feliz, as vezes é importante um pouco de egoismo. Ou seja, se você quer brigar e acha extremamente necessário colocar algumas questões em pratos limpos, faça isso! Não tenha medo do que o outro pode achar. Na maioria das vezes falar o que pensamos pode ser uma ótima terapia. Tiramos tudo que está entalado em nossas gargantas e principalmente, atazanando nossos pensamentos.
Uma outra razão para esse meu pequeno conselho é que se você chegou ao ponto de discutir com alguém sobre algo é porque esse algo não está bom para você. E, sejamos realistas, apenas comentar que não está bom não muda as coisas. Se você comentar, tranquilamente que você quer cancelar a sua linha telefônica a sua operadora ira responder: mas é claro, faremos todo o necessário para isso ocorrer e ainda te daremos um brinde? Não!
Tente lutar pelo seu ponto de vista, pelo o que você acredita. Atreva-se a passar a barreira do politicamente correto. Tome coragem e diga o que esta com vontade de dizer, sem medo de ser recriminada ou algo do gênero. O resultado? Esse sim, vai te aliviar o estresse.
domingo, 11 de setembro de 2011
10 anos se passaram...
A previsão do tempo para aquela manhã era positiva, sol e nenhuma possibilidade de chuva . O céu estava azul com algumas nuvens, como de costume nessa época do ano. Ela colocou a roupa e pegou o crachá, hoje seria um dia como todos os outros. Trabalhava na mesma empresa desde quando se formou, mas não via isso de uma maneira ruim, gostava do que fazia e do local onde trabalhava.
Saiu de casa e foi andando já que, com o transito normal não ia chegar a tempo. Caminhava e falava ao telefone ao mesmo tempo, sem prestar muita atenção ao que estava a sua volta. Nessa cidade grande, isso é mais do que normal, parar para apreciar a paisagem é impossível com a correria do dia-a-dia.
Quando estava na esquina esperando o sinal abrir, escutou um barulho. Não um barulho qualquer. Era algo alarmante, alto, mas ao mesmo tempo, abafado. A única reação que ela pode ter foi se encolher por uns minutos e então vieram os gritos. Levantou a cabeça e vi ao seu lado rostos que expressavam desespero, gritos de susto e de horror. Estava com medo de olhar para onde milhões de dedos apontavam. E quando finalmente olhou para o alto viu a cena mais inesperada e absurda de toda a sua vida. Um avião tinha entrado em uma das torres do World Trade center. E agora o único que podiam ver eram labaredas de fogo.
Ficou em estado de choque, não conseguia raciocinar, os gritos, misturados com aquela visão deixaram ela paralisada. Sirenes. Esse foi o barulho que lhe acordou do seu estado atordoado. Bombeiros, policiais, ambulâncias estavam chegando de todas as partes. Logo depois, vieram os repórteres, carros e mais carros com fios, câmeras, microfones e pessoas confusas buscando informações. Os policias só respondiam que não era o momento, que as pessoas precisavam se afastar, que ninguém sabia direito o que estava acontecendo, e nem mesmo, o que podia acontecer. Aquele majestoso prédio, que sempre pareceu tão imponente, estava agora sendo destruído. Não sabíam nem mesmo, se os pilares iam aguentar.
Alguns minutos depois, veio o outro problema. Um avião voava baixo demais e seu alvo era a outra torre. Olhou rapidamente para a entrada do prédios, se ela não tivesse se atrasado estaria ali, ou talvez dentro do elevador. Não podia acreditar em tudo que estava acontecendo. E então viu uma cena ainda pior que a anterior. Um corpo caindo do alto da torre em direção ao chão. Fechou os olhos pois não aguentava aquilo tudo. Podia ser alguém do seu andar. Podia ser um dos seus companheiros de trabalho. Não queria imaginar que aqueles com os quais saia para beber depois de um dia cansativo estavam ali, no meio das chamas, pedindo por socorro.
Enquanto alguns bombeiros planejavam como entrar, algumas pessoas, cobertas de cinzas, saiam do prédio. Seus rostos demonstravam dor, não apenas física. Elas choravam, pelo susto, pelo medo e pela perda de pessoas queridas. Os bombeiros entravam em grupos, alguns com equipamentos e material de segurança, outros apenas com a coragem e a vontade de ajudar.
Todos estavam se afastando e indo para lugares abertos, mas ela não conseguia me mover, estava ali, paralisada, com os olhos bem abertos para não perder nem um minuto daquele acontecimento. Mas mesmo querendo ficar, foi obrigada a sair. Não pelos policias, mas sim pelo desfecho daquele ataque.

As duas torres, em questão de segundos, desabaram. Primeiro a torre norte, e depois a Sul. Em um efeito dominó, cada andar foi sendo achatado e aquela enorme torre se desfez em pouco tempo. O barulho e o susto a fizeram correr o mais rápido possível, precisava se afastar. Por pouco não ficou no meio de tudo aquilo. Conseguiu se proteger a tempo, uma nuvem de poeria e fumaça acabou a poucos centímetros da onde estava. Se jogou no chão, tentou tampar o rosto com o casaco e ficou ali, paralisada. Ouvia gritos, gemidos, e barulhos que não conseguia identificar. Um cheiro de queimado entrava pelo seu nariz e ela começou a se sentir sufocada. Naquele momento, ela apenas rezou. Não só por ela, mas por todos. Rezou para que tudo aquilo fosse um pesadelo, para que todos estivessem bem, na segurança de suas casas e que ela estivesse protegida em sua cama. Enquanto rezava, lagrimas saiam dos seus olhos e ela sentia todo o seu corpo tremer. Medo. Isso foi o que ela sentiu naquele momento. E então um vazio.
Não lembrava direito o que aconteceu depois. Apenas ouviu uma voz abafada se aproximando e duas mãos a sacudiram levemente. "Senhora?". Abriu os olhos calmamente e viu um bombeiro parado, olhando. Não via desespero refletido nele, apenas alivio e um leve brilho de vitoria. Tínham sobrevivido a tudo aquilo. Ele perguntou se ela tinha se ferido. Respondeu que não, tinha se abaixado para se proteger. Ele a levantou cuidadosamente e naquele instante ela pode olhar para o local do atentado. Não restava nada, apenas destroços. Ele a colocou em uma ambulância e a encaminhou a um hospital pois ela tinha inalado muita fumaça e poeira. Chegando lá, foi liberada em pouco tempo. Estava bem e já podia ir para casa.
Entrou em um táxi e teve outra surpresa. Ouviu no radio que outro avião tinha atingido o pentágono. Mais chamas e mais mortes. "Quando aquilo tudo ia acabar ?" Estava horrorizada, em poucas horas toda a sua vida tinha, literalmente, desmoronado.
10 anos se passaram desde a queda das torres gêmeas. Mesmo com o passar dos anos, isso não vai ser esquecido, nem pelas pessoas envolvidas, nem por aquelas que simplesmente assistiram a tudo, chocadas com o que passava diante de seus olhos. Pelo contrário, o 11 de setembro será relembrado como o dia onde a maior potencia mundial ficou vulnerável, foi abalada por um ataque terrorista e perdeu um dos seus principais símbolos de poder.
domingo, 28 de agosto de 2011
Destino?
Eu sempre acreditei em livre arbítrio. Que o rumo da nossa vida é escolhido por nossas ações e consequentemente, por nossas decisões. Mas às vezes, a vida nos coloca em certas situações que só nos resta pedir para o mundo parar um pouco porque precisamos de tempo para organizar nossas idéias.
Sempre achei que destino era algo usado de desculpa para os protagonistas dos filmes serem felizes, para explicar o porque de algo, ou para entender a consequência de alguma escolha. Mas eu devo estar errada.
Ontem eu terminei a minha noite recebendo uma noticia bombástica envolvendo uma amiga. E logo depois do susto, veio o questionamento. Porque essas coisas acontecem? Porque escolhemos, ou porque, simplesmente, precisam acontecer? Às vezes estamos no momento certo, na hora certa, ou infelizmente, no momento errado, na hora errada. Quem pode saber ou adivinhar? Ninguém. Na verdade, só esse tal de destino!
Nesse momento eu percebi que essa palavrinha tem um papel importante em planejar nossa vida. Como se, desde o dia que nascemos, já tivéssemos uma lista de datas e fatos que vão ocorrer conosco. Como uma sucessão inevitável e imutável de acontecimentos. Me sinto como um pequeno barco no meio da grandiosidade do oceano, como se nada que eu pudesse fazer fosse mudar o rumo e a direção que as ondas estão me levando. Mas, e Deus no meio disso tudo? Será que o destino percebe que precisa ceder? Que às vezes alguém além dele precisa comandar as rédeas das nossas vidas?
Porque nossas vidas não podem ser equilibradas? O destino explica as coisas inexplicáveis, a fé simplifica as coisas extraordinárias e o livre arbítrio fica com o resto, a parte das escolhas e das consequências. Porque não podemos decidir os rumos das nossas vidas? Seria mais simples, mais justo e mais lógico. Mas...quem disse que a vida é simples, justa e lógica?
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Exemplo e sorrisos
Dia dos pais não me parece uma data muito importante, até porque meu pai é meu pai todos os dias. Eu posso parecer meio grossa ou seca ao dizer isso, mas não acho o dia dos pais tão necessário. Afinal, a comemoração passa e os nossos dias continuam iguais.
Acho que devemos dar valor a todos os dias e a todos os momentos possíveis ao lado daquela pessoa que tanto nos ama. Não são palavras como feliz dia dos pais, que vão fazer ele se sentir um pai melhor, e muito menos você vai se sentir um filho melhor. São gestos.
Meu pai nunca foi um paizão daqueles que aparecem nos filmes. Até porque eu, particularmente, acho isso quase impossível. Meu pai não sentava no chão pra brincar, nem me levava pra a pracinha, nem para o calçadão da praia. Não preparava minhas papinhas e nem ficava ao meu lado me convencendo a comê-las. Meu pai não me levava nas festas e ficava sentado me vendo brincar com os meus amiguinhos. Não ajudava na arrumação das minhas festinhas de aniversário. Meu pai não queria fotografar e filmar cada etapa da minha vida, nem cada passo que eu dava em direção a liberdade.
Nessa hora você deve estar pensando: "Meu Deus, que horror! Ela deve ser traumatizada ou algo assim!" E minha resposta é não! Não sou traumatizada nem nada do gênero! Pelo contrário, eu cresci e aprendi algo muito importante, cada um tem seu tempo. E meu pai tem o dele.
Ele pode ter sido diferente dos outros pais, mas para mim, o momento paizão chegou no tempo certo. Eu não lembro muito bem de nada que me aconteceu antes dos 6 anos, nem mesmo fatos que deveriam ser marcantes. Mas lembro de tudo que aconteceu depois dessa data e que acontece até hoje.
Lembro das competições em que ele participava e eu assistía orgulhosa da arquibancada. Das brincadeiras que fazíamos cada vez que ele ganhava um troféu. De algumas tardes em que jogavamos futebol no play e, é claro, da minha primeira ida ao maracanã em um jogo do Flamengo. Lembro dele me ensinando a comer japonês, pedindo o que ele achava que eu ia gostar. Me explicando como usar aqueles palitinhos e me convencendo a usá-los sem o elástico. Lembro dele me ensinando desenho geométrico e me socorrendo no meu trabalho do ensino médio de perspectiva. Lembro dele de terno e gravata na minha festa de 15 anos dançando comigo. E dele de roupa de ginastica me incentivando a fazer algum exercício. Lembro dele comprando um banquinho especial para crianças para colocar na sua primeira moto porque queria que eu o acompanhasse em segurança. Lembro dele, atualmente, me acordando cedo para me dar carona de moto para o trabalho. Lembro das nossas viagens em que procurávamos no mapa os lugares, as linhas de metrô e tudo o que precisávamos e, principalmente, lembro que sempre nos divertíamos com isso.

Na verdade ainda nos divertimos, afinal o maior e mais valioso ensinamento que o meu pai me passou, não foi como ser um pai exemplo, e sim, como ser uma pessoa exemplo. Sempre sorridente, brincalhão e muito batalhador, ele não se deixa abater por pouco e é isso que eu vou levar para a minha vida. Ele me ensinou a superar o problema, mas sempre que possível com um sorriso, seja ele antes, durante ou depois.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Um tal de amor
Eu te amo. Três palavrinhas tão pequenas, mas que podem significar tanta coisa. Um eu te amo bem falado, na hora certa pode mudar toda a sua vida.
Hoje em dia as pessoas banalizam o verbo amar. Elas amam tudo e todos. Amor não é gostar, não é querer, não é apreciar. Amar é amar!
Amor é um paradoxo constante. E é por esse motivo que muitos não sabem sua diferença quando o comparam com outros sentimentos. Amor é algo delicado mas ao mesmo tempo arrebatador. É algo que te deixa feliz, mas que pode te fazer sofrer. É aquilo que você sente em momentos especiais, mas que as vezes é tão forte que você acha que sente o tempo todo. É aquilo que você gosta de ouvir, mas também gosta de falar. Amor...resumindo, é algo apaixonantemente paradoxal!
Se o amor chegar até você, bater na sua porta e pedir para entrar, eu te sugiro uma única coisa: não feche a porta na cara dele! O amor pode não voltar! Não o deixe escapar, não tenha medo da possível falha ou tristeza. Nem mesmo dos possíveis sofrimentos ou erro. Erre se for necessário! Mas tenha sempre em mente a vontade de acertar. Não fique pensando no que pode ser amar alguém, ou no que foi amar alguém, pense simplesmente em...na verdade, não pense, sinta! Amor é algo que se sente, é algo que se vive. É aquilo que, de tanto estar com você, vira seu.
Não se feche a novas oportunidades, deixe seu coração bem aberto e receptivo, porque o amor pode avisar quando vai chegar, ou pode ser algo repentino. Quando você menos esperar algo vai estar difente. Algo na sua vida vai ter mudado. E principalmente, você vai ter mudado. Um sorrindo vai estar estampado no seu rosto e você nem vai perceber que ele já estava lá a um bom tempo. Vai agir de forma mais positiva e feliz, e vai se sentir mais leve. Porque nada como um amor para te fazer sentir mais...viva!
domingo, 31 de julho de 2011
Uma manhã diferente
A porta se abriu e um vento gelado chegou ao seu rosto e o frio parecia penetrar pelo seu corpo. O ar que respirava era diferente do que estava acostumada, o cheiro que sentia era diferente, as pessoas que passavam por ela eram diferentes, o nome das ruas eram diferentes e principalmente, o idioma que escutava era diferente. Tudo era diferente! Fechou os olhos por um momento, respirou fundo e sentiu...apenas sentiu. Era uma sensação de felicidade, que vinha de uma mistura de independência com algumas recordações.

Colocou as mãos nos bolsos do casaco e abriu um sorriso no rosto. Caminhou sem pensar em nada, apenas andava, sem destino, sem hora e sem preocupação. Cada vez que seus pés tocavam o chão ela se sentia mais conectada a aquele lugar. Parou uma vez mais, fechou os olhos e o calor daquele dia ensolarado começava a ser sentido por seu corpo. Mas aquela sensação durou pouco, um vento forte e gelado passou, ela sentiu seu cabelo balançar e um pequeno arrepio.
Naquele momento, até o frio era algo bom de sentir. Nada mais importava. Era apenas ela, aquele dia e aquela cidade. Ela se sentia feliz, livre e segura de si. E era exatamente assim que ela queria estar.
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