quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Fiu Fiu! É sério isso?!

"Nossa! Que delícia!", "Oi gostosa, te pegava toda", "Vem aqui linda!". Quem nunca ouviu isso vindo de algum homem na rua? Ou no metrô? Ônibus talvez? O fato é que não importa onde, nem quando, nem quem... receber cantadas é algo insultante e não demonstra respeito pela tal "gostosa" que você viu passar, e digo mais: duvido que ela vá retribuir o seu "elogio" com um sorriso ou um obrigada.

O site "Olga", que pretende discutir a feminilidade de uma maneira inteligente e criativa, fez uma ótima pesquisa que me deu vontade de escrever sobre o tema essa semana. Deixo aqui o link pois vale muito a pena!!

Estamos em pleno século 21 e, por incrível que pareça, ainda existem homens que se sentem bem por abrir o vidro e gritar, em alto e bom som, cantadas bregas e ofensivas. Quem te deu o direito de falar da minha bunda? Ou que se me levasse pra cama eu ia gostar? Que mundo é esse onde as mulheres precisam mudar de calçada para não passar em um bar pois sabem que vão receber cantadas ofensivas? Não adianta falar que são elogios e que as mulheres deveriam ficar felizes por isso! Elogios são aqueles vindo da sua vizinha quando você entra no elevador ou do menino que estava sentado ao seu lado e disse que você era bonita. Isso é elogio! Cantada é outra coisa!

Vivemos em um país onde as mulheres buscam a todo momento o direto de ser mulher. Digo direito pois parece que já o possuímos quando, na verdade, ser mulher em uma sociedade machista é uma luta diária. De grão em grão, real em real, espaço em espaço, vamos conquistando um papel melhor, não ideal, dentro desse conjunto de pessoas chamado sociedade. Ai aparece um homem qualquer, pai de família, que quer que os "machos" não namorem a sua linda filhinha porque ela é muito inocente e o mundo é perigoso. Para eles eu só digo uma coisa: o mundo é perigoso por conta de homens como você que se sentem no direito de agredir verbalmente ou fisicamente uma mulher e colocar a culpa na saia curta que ela usava na rua.


A rua é um local público e por isso cada um faz o que quer, mas como tudo na vida, o bom senso é mais que essencial. As mulheres gostam de se arrumar, sair na rua bem maquiadas, porém isso não dá aos homens o direito de ofendê-las. Uma mulher de verdade quer ser conquistada e não cantada. E, se for para escutar algo, que seja um elogio bem feito. Se você precisa falar das minhas pernas, do tamanho da minha bunda ou que quer me levar pra cama, sinto lhe dizer que você não merece o meu respeito, nem se quer uma resposta. E se eu tiver vontade de responder, é bem provável que seja algo ofensivo como uma xingamento, afinal, eu só estaria devolvendo na mesma moeda!


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Encantos mil

Voltava de viagem, dormindo, quando meu filho de 6 anos me acordou dizendo: “Mamãe, mamãe, olha lá embaixo, chegamos no Rio!”. Passei um final de semana em outro estado, e assim que desci do avião tive certeza de que este é o melhor lugar que eu podia morar.

Cariocas recebem bem as pessoas, bastam 15 minutos de conversa e vocês já são amigos. Se tiver um chopinho no meio então, uma hora depois o sujeito se torna seu amigo de infância. Em uma mesa de bar, garçom tem nome e muitas vezes até apelido, se é Cristina vira Cris.

Em uma roda de dança, seja lá qual for o ritmo, visitantes são sempre benvindos. Mas principalmente no samba, esse que agrega as pessoas e traz o sorriso ao rosto de qualquer sujeito mal humorado. Seja em uma na quadra de uma escola de samba, na Pedra do Sal ou no Santa Luzia.

Sem contar com as praias maravilhosas, que tem como personagens os mais diversos vendedores, que na labuta diária inventam todo tipo de música para vender seus produtos. Desde os clássicos vendedores de mate e biscoito globo até os que vendem hareburger, a tendência das areias cariocas.

Nós cariocas, muitas vezes não marcamos de nos encontrar, simplesmente nos encontramos: naquele ponto da praia, às quintas no BG ou domingo no Maraca. 

Ser carioca é ser simpático a troco de nada, não gostar de ficar preso a um terno, andar de havaianas, não suportar sinais fechados. É marcar com os amigos às 21h e só chegar às 22h, sem aborrecimentos porque todos vão fazer o mesmo. É encontrar aquela pessoa que você não vê a dias, meses ou anos e marcar alguma coisa que dificilmente vai acontecer.

Amamos o Rio acima de tudo e apenas nós podemos falar mal dele. E novamente eu confirmo, não poderia morar em outro lugar que não fosse a minha cidade maravilhosa. 

O shopping do vídeo escolhido não tem qualquer tipo de relação com o blog, apenas diz muito sobre o sentimento do carioca:



Texto de Juliana Granato

sábado, 7 de setembro de 2013

No escurinho do cinema

No sofá, na poltrona ou até no chão. Não importa o lugar que você assiste... filme bom é aquele que te prende de tal maneira que você não consegue desgrudar os olhos da tela para procurar o copo do refrigerante. 

O Dica Cultural dessa semana veio para provar que, como diz a minha avó, panela velha também faz comida boa! Os lançamentos no cinema surgem a cada semana, mas existem filmes que são clássicos e por isso, nunca perdem seus lugares no topo da lista. Os cinéfilos que me perdoem e os críticos que se acalmem, afinal não faço cinema e as minhas escolhas são baseadas em conclusões próprias. 

Para aqueles que gostam de ficar no escurinho do cinema, infelizmente a lista não vai ajudar. Agora, se você gosta mesmo é de ver um filme no conforto da sua casa, acho que você já pode ir buscando alguns nomes para guardar na estante.

Assim como no dica cultural da semana passada, acho válida uma pequena lista dos top 5 de algumas categorias. Então, ai vai:



Drama: Para aqueles mais sensíveis, a lista abaixo requer um pouco de força e alguns lenços!
*P.S I Love You
*Um Amor pra Recordar
*A Vida é Bela
*Amour
*Quem Quer Ser um Milionário?



Romances "menininhas": Ahhh... os eternos apaixonados... esses são filmes para curtir acompanhada e não sentir vergonha de chorar e rir ao mesmo tempo.
*Meia Noite em Paris
*O Lado Bom da Vida
*Como Perder um Homem em 10 Dias
*O Diabo Veste Prada
*Cartas para Julieta





Musicais: Esses não podiam faltar!
*Chicago
*Grease
*Cantando na Chuva
*Moulin Rouge
*Dream Girls


Comédias: Muito além das piadas batidas e diretas, coloco aqui filmes com um humor bem feito e que conseguem deixar risos e um gostinho de quero mais.
*Os Intocáveis
*Antes de Partir
*O Auto da Compadecida
*Prenda-me Se For Capaz
*Forrest Gump - O Contador de Histórias



Ação/suspense: Para aqueles que gostam mesmo é de deixar o coração na boca.
*Onze Homens e um Segredo
*Truque de Mestre
*Identidade Bourne (o 1º é o melhor!)
*Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra
*Chamada de Emergência




terça-feira, 3 de setembro de 2013

Contra o fingimento e a favor da originalidade

Durante muito tempo venho formulando a seguinte tese: tudo que vem seguido do verbo fingir não pode ser considerado grande coisa! Você deve estar pensando... só isso?! Sim, esse pensamento básico pode muito bem resolver conflitos entre amigos e até fortalecer algumas relações amorosas. Mas principalmente, esse pensamento, de perceber em pequenas frases e discursos o fingimento intrínseco, pode acabar com o surgimento irritante de pseudo-intelectuais, pseudo-fashionistas e pseudo-formadoras de opinião.

Atualmente vivemos de um fingimento submerso, indireto e crescente. Somos metade nós mesmos e metade o que queremos passar para o outro. Digo nós porque me incluo nessa juventude que, antes de comer um belo prato de massa, tira uma foto para o Instagram. Sei que não é algo bom, e às vezes me envergonho de estar em um lugar mais preocupada em postar fotos e ter 'likes' do que em aproveitar.

Porém, esse fingimento não é culpa das redes sociais, elas apenas trouxeram à tona algo que estava quieto no canto. Afinal, quem nunca fingiu entender de um assunto só pra não ficar de fora de uma conversa?! Quem nunca fingiu ser amiga daquela menina famosinha pra ter status? Quem nunca comprou um vestido caro só para fingir que tem dinheiro e entende de moda?

Mas o problema vai além do fingir pessoal. A grande questão é quando isso começa a afetar as pessoas que estão ao seu redor. Quem foi que decretou no 'tribunal da chatice' que gostar de coisas populares é ruim e ser 'cult' é legal?! Quem foi que inventou que você sabe mais que os outros reles mortais só porque fingiu que entendeu o livro do Freud ou aquele filme iraniano em preto e branco. Quem te disse que o cool é postar frases no Facebook com palavras difíceis, que você teve que buscar no dicionário ou no Google, só para fingir que você tem uma opinião.

Quem finge não vive! É isso e ponto final! Se você gosta do som da Mc Anitta, assiste semanalmente filmes americanos de romance e se diverte lendo revistas de moda, aproveita e esquece os outros! Você não vai ser menos inteligente, nem menos interessante, que aquela menina que finge entender de política e economia, digo isso porque são poucas as que realmente entendem. Você pode até se sentir menor aos olhos daqueles que se acham superiores e evoluídos, mas não é verdade, sabe por quê? Superioridade é outro tipo de fingimento que não merece muita atenção.

Se você finge que é inteligente, você não é nem um pouco. Se você finge que é feliz, você no máximo tem uma alegria raquítica. Se você finge que ama alguém, então você não ama, e aí está mascarado outro tipo de fingimento que deve ser abolido pois só serve de base para relacionamentos superficiais que duram pouco.


A verdade pode não parecer a melhor opção agora, mas definitivamente, a longo prazo, você vai olhar para trás e ver que aquela das fotografias era realmente você; e não uma sósia pseudo-qualquer coisa que você colocou para viver sua vida. E isso vai te fazer feliz! Até porque ser original é muito mais interessante do que viver de fingimentos seguindo a opinião alheia!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Tempos de guerra

Já era de noite, bem tarde, de madrugada.
Nas telas ouvia-se o noticiário mostrando a guerra civil.
Com um clique se desliga esse mundo.
O silêncio domina, só se ouve o cair da chuva e o ruído de algumas máquinas.
De repente, lá no fundo, surgem algumas vozes animadas, cantando e festejando.
Alguém fazia aniversário.
A felicidade se contrasta com o pavor.
E em um mesmo dia, a vida começa e acaba.


Texto de Juliana Granato

sábado, 31 de agosto de 2013

DC: Livros para provar e se deliciar

Jornalista e blogueira. Preciso falar mais? Uma das minhas maiores paixões antes mesmo do chocolate, dos filmes e do teatro, é uma boa leitura. Um livro envolvente, bem escrito e divertido pode preencher perfeitamente um dia ensolarado ou uma noite fria. O cheiro de um livro novo, o cuidado ao mudar as páginas e o frio na barriga de ansiedade com o fim da história podem deixar muita gente feliz. Se você ainda não se deixou contagiar pelo vírus da leitura, a hora é agora. Afinal, o mês de setembro ainda não começou, mas a Bienal do Livro 2013 já! Então para aproveitar, o dica cultural de hoje é sobre livros. Como diria Carlos Drummond de Andrade: "A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede."

Antes que você continue a leitura vamos deixar algumas coisas resolvidas: Se você veio procurando aqueles livros em série, que têm um lançamento a cada mês e que no fundo possuem a mesma trama, tipo Nicholas Sparks, é melhor parar por aqui e partir pra outra dica cultural. Quem sabe um filme, uma peça de teatro....

Agora, se você busca livros diferentes, com personagens fortes, impactantes e divertidos, a nossa conversa pode começar.

Dos livros internacionais recomendo todos os do Carlos Ruiz Zafón. A maneira viciante e as tramas inusitadas dos seus livros me levaram a ser uma de suas maiores fãs. Outra pedida certe é "Tempo entre Costuras", de Maria Dueñas. Uma escritora espanhola, pouco conhecida, mas que em seu primeiro livro, já mostrou para que veio. Sua personagem principal é Sira, uma espanhola simples que ao se apaixonar, viaja para o Marrocos, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Porém o seu sonho romântico acaba quando, de uma hora para outra, é abandonada. Sira então precisa se recuperar e se reinventar. Como uma bela heroína feminista, Sira vai mergulhar em um novo mundo repleto de espiões, impostores e fugitivos.

Dos livros "menininhas", aqueles que possuem histórias de amor, com personagens femininas fofas, confusas, mas decididas, "Simplesmente Irresistível" é uma ótima pedida. Não tem como não se apaixonar e se solidarizar com Georgeanne, uma mulher confusa que após fugir de seu casamento com um velho conhece John Kowalsky, um homem lindo, sexy, rico e quase perfeito.Após uma noite juntos, ela vai embora com o coração partido.Sete anos se passam e os dois se encontram novamente. Mas alpem da surpresa do reencontro, outra novidade aguarda John: ele descobre que aquela noite de amor produziu uma filha, de cuja vida ele quer fazer parte. Uma história e tanto, não?

Abaixo coloquei uma pequena lista dos tops 3 de algumas categorias. Afinal, livro pode ser comparado ao esporte, tem alguns que gostam de algo mais agitado, outros algo mais relax e tem aqueles que só fazem para se divertir.

Livros "Menininha"
1- Simplesmente Irresistível - Rachel Gibson
2- Melancia - Marian Keyes
3- Juntos para Sempre - Walcyr Carrasco (sim, aquele dramaturgo que escreve novela da Rede Globo)

Internacionais:
1-A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón
2-O Jogo do Anjo - Carlos Ruiz Zafón
3-O Tempo entre Costuras - Maria Dueñas

Nacionais:
1-O Filho da Mãe - Bernardo Carvalho
2-Diálogos Impossíveis - Luiz Fernando Verissimo
3-Dom Casmurro - Machado de Assis (Porque os textos dele são imortais)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Em busca de uma igualdade verdadeira

Segunda-feira, dia 26 de agosto foi o Dia da Igualdade Feminina. Uma data importante para aquelas que lutam, e sempre lutaram, por uma vida igualitária entre os gêneros e que, principalmente, defendem a bandeira do feminismo.

Assim como não concordo com inúmeras políticas atuais do governo, ou com algumas doutrinas da igreja, me sinto no direito de não aceitar tudo que é posto em pauta pela luta feminista. Ser contra alguns aspectos e contestá-los faz parte da rotina de uma jornalista. Digo isso, porque ultimamente tenho visto uma padrão se repetir. Algumas mulheres reclamam de seus namorados, maridos, ou quando estão mais revoltadas, reclamam dos homens como um todo, como se eles fossem a pior coisa inventada para nós, só perdendo para a menstruação ou quem sabe para a depilação com cera. Há aquelas que se arriscam a dizer que todos os homens são machistas e nunca entenderão o que as mulheres passaram e ainda passam. Sim, foram anos e anos de luta, queimas de sutiãs, trabalhos diferenciados, salários inferiores e constrangimentos públicos para chegarmos ao patamar, não ideal, no qual estamos. Mas daí, colocar toda a culpa do universo no outro é muito fácil. "Deu problema, culpa do fulano."; "Falou besteira, só podia ser homem."; "Terminou? Homem é tudo igual!".

Não podemos esperar do homem um pensamento mais igualitário, de defesa das diferenças de gênero e de reconhecimento das qualidades femininas quando nós mulheres estamos mais preocupadas em dizer que a culpa pelo fim do relacionamento, dos problemas do mundo, da inflação do dólar, das guerras no Oriente Médio, é dele! Desse modo, assumimos papeis contrários. Viramos "machistas", pois nos colocamos em um patamar superior e inferiorizamos eles, comportamento que aturamos durante séculos! O machismo é ruim quando vem em forma de preconceito do lado de lá, mas o feminismo em excesso também pode ser prejudicial à qualquer relacionamento.

Precisamos olhar mais para nossas falas padronizadas e robóticas e utilizar os anos de luta para perceber que a igualdade não deve ser buscada só na parte boa como o emprego, ou o salário melhor. Igualdade por si só, quer dizer igual em tudo. Isso inclui igualdade nas falhas, na culpa e na coragem de assumir o papel de errada e não de vítima da falha masculina. Mulheres, vamos buscar a igualdade sim, mas vamos buscá-la por inteiro. Vamos ser "feministas" nas vitórias e nas derrotas, porque aí sim, a igualdade será verdadeira.