Durante anos havia se tornado uma mulher fraca, sem pretensão na vida, sem esperar nada de ninguém, nem ao menos dela mesma. Iria contra os padrões, as expectativas, os tabus e se libertaria de tudo que a prendia ao passado. Era como se tirasse os fios que ligavam seu corpo aos mãos de alguém que a movia, como uma marionete. Naquele dia ela encontrou força de onde nunca achou que poderia encontrar. Seu futuro era incerto, mas o que na vida não é assim? No final do casamento encontraria o necessário para seguir viagem e fugiria para longe. Ia para outro lugar, ainda não sabia ao certo, só tinha a certeza que daria uma chance a seu sonho e a sua vontade. Daria uma chance a ela mesma.
domingo, 7 de outubro de 2012
Enfim, liberdade!
sábado, 9 de junho de 2012
Eu queria...
Poucas palavras podem mudar tudo. Queria ouvir o barulho das portas do elevador se abrindo e o leve toque da campainha me fazendo estremecer. Queria ver o seu rosto, olhar nos seus olhos e ver aquele brilho que sempre esteve lá. Aquele olhar de quem ama, de quem não consegue guardar dentro de si um sentimento tão belo e poderoso. Queria que você tivesse deixado o seu orgulho bobo, ou seu medo para trás. E simplesmente viesse a mim.
Não quero palavras, não quero desculpas, quero apenas gestos que ficaram para trás. Quero que você tente se redimir por me deixar sair daquela maneira, sem ao menos olhar nos meus olhos. Como se aquele beijo não tivesse nada mais do que os simples toques dos lábios, era apenas algo que não tinha sentimento. Por um momento tentei buscar seus olhos, ver ou até mesmo entender o que passava na sua mente. Afinal o dia tinha sido tão bom, declarações de amor foram pronunciadas, beijos foram trocados entre nós e agora você era como um estranho.
O silêncio se tornava cada vez mais ensurdecedor. Queria que algo acontecesse para que tivéssemos algum assunto. Mas nada! O silêncio imperava dentro daquele local e eu não conseguia pensar no que foi dito. Porque algo simples para mim pode se tornar isso? Queria correr até a porta, após escutar o som da campainha e ser surpreendida, queria que ao menos uma vez eu fosse tão importante para alguém, ao ponto de deixar de lado o seu sofrimento para entender que eu também estava sofrendo. A culpa de ter estragado o momento perfeito entre nós estava me consumindo e me deixando sem forças para lutar. Quando saí do carro e apertei o botão do elevador, sentia dentro de mim um fio de esperança, como se eu fosse sentir sua mão me segurando, seu cheiro no ar e seu toque no meu rosto. Os minutos não passavam e eu não conseguia olhar para trás não queria acabar com o tolo sonho que eu tinha de você deixar para lá tudo que aconteceu. Não conseguia e não queria ver você dentro do carro sem ao menos se mexer, como se aquela fosse mais uma despedida qualquer. Procurava a chave incessantemente, pois precisava entrar em algum lugar seguro para mim. Não enxergava um palmo a minha frente, pois as lágrimas corriam pelo meu rosto. Finalmente fechei a porta e me apoiei nela como se não aguentasse nem ao menos, o peso do meu corpo.
Caminhei lentamente em direção ao quarto, me arrastando e querendo apenas que aquela noite terminasse. Comecei a pensar em tudo que tinha acontecido e minha cabeça doía como se tivesse saído de uma prova de três horas. Queria voltar ao tempo, deixar aquilo tudo para trás. Engolir as palavras que foram ditas e simplesmente viver o momento. Mas não era mais possível! Eu tinha que me conformar com a dor e com o vazio que eu sentia dentro de mim. Deitei a cabeça no travesseiro e as lágrimas molharam a fronha. Não sabia ao certo se a situação merecia tanto sofrimento, mas algo dentro de mim precisava sair, mesmo sem saber, deixei as lágrimas rolarem pelo meu rosto e embaçarem os meus olhos.
Quando já estava conformada de que a noite seria difícil e demoraria para pegar no sono e para aplacar aqueles sentimentos confusos e misturados, escuto um barulho. Algo pequeno, abafado pelo próprio travesseiro. Uma mensagem, um pedido de desculpas, um ato de amor e, consequentemente, a tranquilidade e a paz substituindo toda aquela dor.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Solidão...
Sentimento possível
quase imperceptível
no meio dessa multidão.
Porque me sinto tão só?
Busco respostas ,
mas encontro em minha garganta,
apenas um simples nó.
A voz torna-se falha,
A dor volta sem cessar,
Muito além de uma batalha
cada dia um caminhar.
Optar por algo novo
sem saber se é perigoso
Ignorar a consequência,
mas que tola inteligência!
quase imperceptível
no meio dessa multidão.
Porque me sinto tão só?
Busco respostas ,
mas encontro em minha garganta,
apenas um simples nó.
A voz torna-se falha,
A dor volta sem cessar,
Muito além de uma batalha
cada dia um caminhar.
Optar por algo novo
sem saber se é perigoso
Ignorar a consequência,
mas que tola inteligência!
quinta-feira, 22 de março de 2012
Falar, falar e falar....
Acho que muitas pessoas não vão concordar com o que eu vou escrever e podem me achar meio revoltada ou maluca, mas vou escrever mesmo assim. Sabe aquelas dicas que você lê em revistas de moda e bem-estar quando você está entediada no salão ou no consultório médico? Aquelas que são listas do que fazer para se sentir bem, o que fazer para ser mais feliz, o que fazer para uma vida mais tranquila, o que fazer, até mesmo, para conseguir o homem dos seus sonhos? Então, elas todas possuem sempre um item em comum: não brigue ou discuta com as pessoas que você ama. O por quê? Você se preserva do estresse e vive mais tranquila. E desde quando alguém consegue seguir as dietas, as dicas de moda e de beleza e as recomendações dessas revistas. Elas são ótimas para você fazer uma lista do que fazer no próximo ano com alguns tópicos como, entrar em uma dieta, fazer uma limpeza no guarda-roupa, comprar roupas melhores, maquiagens melhores, e principalmente mudar seu estilo de vida. Mas elas são péssimas no quesito dicas importantes!
Não posso me considerar uma especialista no assunto mas todas nós sabemos, que lá no fundo, tudo que está escrito ali não passam de palavras e frases bonitas. Algo como um livro de auto-ajuda! E até hoje eu não entendi o porque da dica : não discuta. E é nesse momento que eu vou parecer maluca, mas eu acho que a dica deveria ser, discuta sim, quando achar necessário. Não no sentido de brigar, partir para a grosseria, para os gritos e ofensas, não é desse tipo de briga que estou falando. Seria algo como falar a verdade, o que vier na cabeça. Pode ser necessário, em algumas situações apenas falar, ou argumentar mas se não for o suficiente, discuta até onde for necessário, é importante colocar para fora o que não está te fazendo bem.
Primeiro de tudo, porque para você ser feliz, as vezes é importante um pouco de egoismo. Ou seja, se você quer brigar e acha extremamente necessário colocar algumas questões em pratos limpos, faça isso! Não tenha medo do que o outro pode achar. Na maioria das vezes falar o que pensamos pode ser uma ótima terapia. Tiramos tudo que está entalado em nossas gargantas e principalmente, atazanando nossos pensamentos.
Uma outra razão para esse meu pequeno conselho é que se você chegou ao ponto de discutir com alguém sobre algo é porque esse algo não está bom para você. E, sejamos realistas, apenas comentar que não está bom não muda as coisas. Se você comentar, tranquilamente que você quer cancelar a sua linha telefônica a sua operadora ira responder: mas é claro, faremos todo o necessário para isso ocorrer e ainda te daremos um brinde? Não!
Tente lutar pelo seu ponto de vista, pelo o que você acredita. Atreva-se a passar a barreira do politicamente correto. Tome coragem e diga o que esta com vontade de dizer, sem medo de ser recriminada ou algo do gênero. O resultado? Esse sim, vai te aliviar o estresse.
domingo, 11 de setembro de 2011
10 anos se passaram...
A previsão do tempo para aquela manhã era positiva, sol e nenhuma possibilidade de chuva . O céu estava azul com algumas nuvens, como de costume nessa época do ano. Ela colocou a roupa e pegou o crachá, hoje seria um dia como todos os outros. Trabalhava na mesma empresa desde quando se formou, mas não via isso de uma maneira ruim, gostava do que fazia e do local onde trabalhava.
Saiu de casa e foi andando já que, com o transito normal não ia chegar a tempo. Caminhava e falava ao telefone ao mesmo tempo, sem prestar muita atenção ao que estava a sua volta. Nessa cidade grande, isso é mais do que normal, parar para apreciar a paisagem é impossível com a correria do dia-a-dia.
Quando estava na esquina esperando o sinal abrir, escutou um barulho. Não um barulho qualquer. Era algo alarmante, alto, mas ao mesmo tempo, abafado. A única reação que ela pode ter foi se encolher por uns minutos e então vieram os gritos. Levantou a cabeça e vi ao seu lado rostos que expressavam desespero, gritos de susto e de horror. Estava com medo de olhar para onde milhões de dedos apontavam. E quando finalmente olhou para o alto viu a cena mais inesperada e absurda de toda a sua vida. Um avião tinha entrado em uma das torres do World Trade center. E agora o único que podiam ver eram labaredas de fogo.
Ficou em estado de choque, não conseguia raciocinar, os gritos, misturados com aquela visão deixaram ela paralisada. Sirenes. Esse foi o barulho que lhe acordou do seu estado atordoado. Bombeiros, policiais, ambulâncias estavam chegando de todas as partes. Logo depois, vieram os repórteres, carros e mais carros com fios, câmeras, microfones e pessoas confusas buscando informações. Os policias só respondiam que não era o momento, que as pessoas precisavam se afastar, que ninguém sabia direito o que estava acontecendo, e nem mesmo, o que podia acontecer. Aquele majestoso prédio, que sempre pareceu tão imponente, estava agora sendo destruído. Não sabíam nem mesmo, se os pilares iam aguentar.
Alguns minutos depois, veio o outro problema. Um avião voava baixo demais e seu alvo era a outra torre. Olhou rapidamente para a entrada do prédios, se ela não tivesse se atrasado estaria ali, ou talvez dentro do elevador. Não podia acreditar em tudo que estava acontecendo. E então viu uma cena ainda pior que a anterior. Um corpo caindo do alto da torre em direção ao chão. Fechou os olhos pois não aguentava aquilo tudo. Podia ser alguém do seu andar. Podia ser um dos seus companheiros de trabalho. Não queria imaginar que aqueles com os quais saia para beber depois de um dia cansativo estavam ali, no meio das chamas, pedindo por socorro.
Enquanto alguns bombeiros planejavam como entrar, algumas pessoas, cobertas de cinzas, saiam do prédio. Seus rostos demonstravam dor, não apenas física. Elas choravam, pelo susto, pelo medo e pela perda de pessoas queridas. Os bombeiros entravam em grupos, alguns com equipamentos e material de segurança, outros apenas com a coragem e a vontade de ajudar.
Todos estavam se afastando e indo para lugares abertos, mas ela não conseguia me mover, estava ali, paralisada, com os olhos bem abertos para não perder nem um minuto daquele acontecimento. Mas mesmo querendo ficar, foi obrigada a sair. Não pelos policias, mas sim pelo desfecho daquele ataque.

As duas torres, em questão de segundos, desabaram. Primeiro a torre norte, e depois a Sul. Em um efeito dominó, cada andar foi sendo achatado e aquela enorme torre se desfez em pouco tempo. O barulho e o susto a fizeram correr o mais rápido possível, precisava se afastar. Por pouco não ficou no meio de tudo aquilo. Conseguiu se proteger a tempo, uma nuvem de poeria e fumaça acabou a poucos centímetros da onde estava. Se jogou no chão, tentou tampar o rosto com o casaco e ficou ali, paralisada. Ouvia gritos, gemidos, e barulhos que não conseguia identificar. Um cheiro de queimado entrava pelo seu nariz e ela começou a se sentir sufocada. Naquele momento, ela apenas rezou. Não só por ela, mas por todos. Rezou para que tudo aquilo fosse um pesadelo, para que todos estivessem bem, na segurança de suas casas e que ela estivesse protegida em sua cama. Enquanto rezava, lagrimas saiam dos seus olhos e ela sentia todo o seu corpo tremer. Medo. Isso foi o que ela sentiu naquele momento. E então um vazio.
Não lembrava direito o que aconteceu depois. Apenas ouviu uma voz abafada se aproximando e duas mãos a sacudiram levemente. "Senhora?". Abriu os olhos calmamente e viu um bombeiro parado, olhando. Não via desespero refletido nele, apenas alivio e um leve brilho de vitoria. Tínham sobrevivido a tudo aquilo. Ele perguntou se ela tinha se ferido. Respondeu que não, tinha se abaixado para se proteger. Ele a levantou cuidadosamente e naquele instante ela pode olhar para o local do atentado. Não restava nada, apenas destroços. Ele a colocou em uma ambulância e a encaminhou a um hospital pois ela tinha inalado muita fumaça e poeira. Chegando lá, foi liberada em pouco tempo. Estava bem e já podia ir para casa.
Entrou em um táxi e teve outra surpresa. Ouviu no radio que outro avião tinha atingido o pentágono. Mais chamas e mais mortes. "Quando aquilo tudo ia acabar ?" Estava horrorizada, em poucas horas toda a sua vida tinha, literalmente, desmoronado.
10 anos se passaram desde a queda das torres gêmeas. Mesmo com o passar dos anos, isso não vai ser esquecido, nem pelas pessoas envolvidas, nem por aquelas que simplesmente assistiram a tudo, chocadas com o que passava diante de seus olhos. Pelo contrário, o 11 de setembro será relembrado como o dia onde a maior potencia mundial ficou vulnerável, foi abalada por um ataque terrorista e perdeu um dos seus principais símbolos de poder.
domingo, 28 de agosto de 2011
Destino?
Eu sempre acreditei em livre arbítrio. Que o rumo da nossa vida é escolhido por nossas ações e consequentemente, por nossas decisões. Mas às vezes, a vida nos coloca em certas situações que só nos resta pedir para o mundo parar um pouco porque precisamos de tempo para organizar nossas idéias.
Sempre achei que destino era algo usado de desculpa para os protagonistas dos filmes serem felizes, para explicar o porque de algo, ou para entender a consequência de alguma escolha. Mas eu devo estar errada.
Ontem eu terminei a minha noite recebendo uma noticia bombástica envolvendo uma amiga. E logo depois do susto, veio o questionamento. Porque essas coisas acontecem? Porque escolhemos, ou porque, simplesmente, precisam acontecer? Às vezes estamos no momento certo, na hora certa, ou infelizmente, no momento errado, na hora errada. Quem pode saber ou adivinhar? Ninguém. Na verdade, só esse tal de destino!
Nesse momento eu percebi que essa palavrinha tem um papel importante em planejar nossa vida. Como se, desde o dia que nascemos, já tivéssemos uma lista de datas e fatos que vão ocorrer conosco. Como uma sucessão inevitável e imutável de acontecimentos. Me sinto como um pequeno barco no meio da grandiosidade do oceano, como se nada que eu pudesse fazer fosse mudar o rumo e a direção que as ondas estão me levando. Mas, e Deus no meio disso tudo? Será que o destino percebe que precisa ceder? Que às vezes alguém além dele precisa comandar as rédeas das nossas vidas?
Porque nossas vidas não podem ser equilibradas? O destino explica as coisas inexplicáveis, a fé simplifica as coisas extraordinárias e o livre arbítrio fica com o resto, a parte das escolhas e das consequências. Porque não podemos decidir os rumos das nossas vidas? Seria mais simples, mais justo e mais lógico. Mas...quem disse que a vida é simples, justa e lógica?
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